Indústria brasileira em compasso de espera: Estabilidade marca o fechamento de novembro sob juros altos
Economia

Indústria brasileira em compasso de espera: Estabilidade marca o fechamento de novembro sob juros altos

dez 2, 2025

Os indicadores econômicos divulgados pelo IBGE referentes ao desempenho da indústria brasileira em novembro de 2025 trouxeram um misto de alívio e preocupação para os analistas de mercado. Com uma variação nula (0,0%) na comparação com o mês anterior, a produção industrial sinaliza uma estabilização após as oscilações registradas no primeiro semestre do ano. Embora o resultado interrompa uma trajetória de queda leve verificada em meses anteriores, ele evidencia que o setor produtivo nacional ainda caminha com o “freio de mão puxado” devido à política monetária restritiva adotada pelo Banco Central .

O grande vilão apontado por empresários e economistas continua sendo a taxa Selic, que encerrou o período fixada em 15% ao ano. Esse patamar, o mais alto em quase duas décadas, tem um efeito direto e severo no custo do crédito e, consequentemente, na capacidade de investimento das fábrias para modernização e expansão de linhas de produção. De acordo com a subsecretária de Política Macroeconômica do Ministério da Fazenda, Raquel Nadal, os juros reais próximos a 10% ao ano estão impactando significativamente o ritmo de atividade industrial e de serviços, levando a uma revisão marginal para baixo na projeção do PIB de 2025 para 2,2% .

Apesar da estagnação geral, houve nichos específicos de crescimento que impediram um resultado negativo em novembro. O setor de bens de capital, que reflete o investimento das empresas em máquinas e equipamentos, registrou uma alta de 2,1% pelo terceiro mês consecutivo. Ramos como o de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (5,4%) e metalurgia (1,7%) também apresentaram fôlego positivo, compensando as perdas em setores mais dependentes do consumo imediato das famílias, como vestuário e calçados, que sofrem com o poder de compra corroído pela inflação acumulada no ano.

No campo da diplomacia econômica, o mês de novembro foi de intensas negociações internacionais para reverter barreiras comerciais que afetam a indústria nacional. O governo brasileiro acelerou esforços para derrubar o chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos a produtos industriais brasileiros, como aço e máquinas. A administração federal busca a suspensão total dessas tarifas, que em alguns casos chegam a 50%, para evitar a perda permanente de fatias de mercado para concorrentes globais. O otimismo baseia-se na importância do Brasil como fornecedor estratégico de insumos e minerais críticos para a economia norte-americana.

A inflação, outro ponto central de atenção, mostrou sinais de trégua em novembro, fechando em 0,18%. Esse resultado permitiu que o IPCA acumulado em 12 meses voltasse para 4,46%, situando-se dentro do limite de tolerância da meta do governo (4,5%). A queda nos preços de itens básicos como leite (-4,98%) e arroz (-2,86%) deu um fôlego momentâneo ao orçamento doméstico, embora o custo da energia elétrica continue sendo a principal pressão de alta, acumulando uma elevação de 11,41% no ano.

Para a indústria brasileira, o cenário de 2026 dependerá diretamente da capacidade do governo em equilibrar o ajuste fiscal com estímulos à neoindustrialização sustentável — pauta central da “Nova Indústria Brasil” (NIB). Enquanto os motores das fábricas não aceleram totalmente, o mercado aguarda que a estabilidade de novembro seja o prelúdio de uma retomada baseada em juros mais baixos e maior inserção nos mercados globais, especialmente com o Brasil assumindo a presidência do BRICS a partir de janeiro. O desafio será converter o superávit da balança comercial, impulsionado pela agropecuária, em investimentos que fortaleçam a base industrial do país e gerem empregos de maior qualificação.


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