Exportações em alta: Brasil registra superávit de US$ 1,8 bilhão na balança comercial
A balança comercial brasileira encerrou a terceira semana de novembro de 2025 com números que reforçam a resiliência do setor externo nacional. De acordo com dados oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o país registrou um superávit de US$ 1,8 bilhão no período, elevando o saldo acumulado do mês para US$ 3,4 bilhões. Esse desempenho é fruto de uma corrente de comércio que atingiu US$ 12,1 bilhões na semana, consolidando um ano de 2025 marcado pela força das exportações brasileiras em mercados estratégicos.
O grande protagonista desse resultado positivo foi, mais uma vez, o agronegócio. A média diária de exportações do setor agropecuário apresentou um crescimento robusto de 29,8% em comparação ao mesmo mês de 2024. A safra recorde de grãos e a forte demanda por carne bovina, especialmente com a reabertura e expansão de cotas em mercados asiáticos, sustentaram o índice. Além disso, a indústria de transformação também mostrou sinais de vitalidade, com alta de 5,4% nas exportações diárias, impulsionada por manufaturados de ferro e aço, além de máquinas industriais de alto valor agregado.
No campo da diplomacia econômica, o mês de novembro foi marcado por intensas negociações lideradas pelo governo federal para reverter o chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos. A administração brasileira busca a suspensão total de sobretaxas de até 50% que ainda incidem sobre produtos industriais e madeireiros nacionais. O argumento brasileiro, levado pelo presidente Lula em diálogos recentes com a administração norte-americana, foca na complementaridade econômica: o Brasil abastece os EUA com 16% de todo o café consumido no país e é um fornecedor essencial de minerais críticos para a indústria tecnológica global. A suspensão de mais de 200 itens nacionais dessas tarifas extras é vista como um “presente antecipado” para o setor produtivo, embora ainda existam gargalos em maquinários que precisam de resolução em 2026.
Pelo lado das importações, houve um recuo de 4,2% na média diária, totalizando US$ 8,7 bilhões na semana. Esse movimento reflete uma maior autossuficiência nacional em setores como combustíveis e fertilizantes, reduzindo a vulnerabilidade do país às flutuações bruscas no mercado internacional de petróleo, que se manteve estável em novembro após as tensões geopolíticas do início do ano. Analistas de mercado apontam que a manutenção de superávits sólidos é fundamental para que o Brasil consiga cumprir as metas fiscais e manter as reservas cambiais protegidas contra a volatilidade esperada no calendário eleitoral de 2026.