De olho na bomba: CADE investiga possível combinação de preços em postos de combustíveis do RN
O bolso do motorista potiguar voltou a ser pauta central nas discussões econômicas no fechamento de janeiro de 2026. A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) instaurou um inquérito administrativo para investigar a conduta de sindicatos e lideranças de postos revendedores de combustíveis no Rio Grande do Norte, além de outros três estados (Bahia, Minas Gerais e Rio Grande do Sul). A suspeita é de que tenha ocorrido uma coordenação para o reajuste de preços, configurando possível prática de cartel ou influência à conduta comercial uniforme .
A investigação foi motivada por denúncias encaminhadas ao Ministério da Justiça, que apontaram manifestações públicas de dirigentes sindicais sinalizando aumentos lineares nas bombas antes mesmo de qualquer movimentação oficial da Petrobras ou variações drásticas no mercado internacional de petróleo. No RN, a disparidade de preços entre Natal e cidades vizinhas como Parnamirim e Extremoz já vinha gerando reclamações constantes dos consumidores. O CADE informou que as ações dessas entidades podem ter induzido os revendedores a adotarem margens de lucro idênticas, eliminando a livre concorrência .
No cenário nacional, o mercado de combustíveis em janeiro viveu um paradoxo. Enquanto o governo federal buscava ampliar subsídios para o diesel e gás de cozinha, a gasolina registrava altas injustificadas em diversas capitais. O inquérito do CADE agora entra na fase de instrução, onde serão coletadas evidências documentais e depoimentos de proprietários de redes de postos. Caso a infração seja confirmada, as multas podem atingir valores bilionários, além de sanções administrativas severas contra as entidades envolvidas.
Para o consumidor de Assu e do Vale do Açu, a notícia traz esperança de uma fiscalização mais rigorosa. Frequentemente, os preços praticados no interior são superiores aos da capital, sob a justificativa do custo de frete. Contudo, órgãos de defesa como o Procon-RN têm alertado que a margem aplicada muitas vezes supera o razoável, penalizando quem depende do transporte para trabalhar. “A concorrência é a única proteção que o cidadão tem em uma economia de mercado. Quando os postos decidem não competir, quem paga a conta é o trabalhador”, afirma um analista econômico local.