Fim da escala 6×1: Pressão popular nas ruas e no Congresso marca o debate trabalhista em 2026
O final de fevereiro de 2026 registrou o acirramento de um dos debates mais divisivos na arena política brasileira: a proposta de extinção da jornada de trabalho 6×1. O movimento, que ganhou força nas redes sociais e culminou em manifestações em diversas capitais, exige a revisão da jornada de 44 horas semanais, propondo a adoção do modelo de quatro dias de trabalho por três de descanso (semana 4×3) ou a redução gradual para 36 horas .
No Congresso Nacional, a PEC 8/2025, de autoria da deputada Erika Hilton, foi apensada à PEC 221/2019, de Reginaldo Lopes, tornando-se o texto-base para as discussões na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A diferença entre os modelos é prática: enquanto uma defende a ruptura imediata do modelo atual, a outra propõe uma transição de dez anos . O governo federal, embora sensível à pauta, observa com cautela os impactos econômicos. Entidades como a CNI alertam que uma mudança abrupta poderia elevar os gastos públicos com pessoal em até R$ 4 bilhões e pressionar a inflação no setor de serviços .
Os defensores da medida argumentam que a escala 6×1 é um motor de exaustão física e mental, impedindo o convívio familiar e o lazer . Em cartazes espalhados pela Avenida Paulista e pela Cinelândia no Rio, trabalhadores pediam “viver com dignidade” e denunciavam a “escravidão moderna” permitida pela atual legislação trabalhista . Para os sindicatos, o aumento da produtividade via Inteligência Artificial permite que o trabalhador tenha mais tempo livre sem perda salarial.