O Rio Grande do Norte deu um passo histórico nesta sexta-feira (10) para se tornar um dos maiores polos globais de energia limpa. Em evento realizado na Governadoria, em Natal, o Governo do Estado e a Federação das Indústrias (FIERN) lançaram o Atlas de Hidrogênio Verde do RN. O documento mapeia o potencial técnico e a competitividade econômica do estado, revelando números que colocam o território potiguar em vantagem direta frente a grandes players internacionais.
Potencial que supera a demanda global
Desenvolvido pelo Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), o Atlas revela que o RN tem capacidade para produzir até 90 milhões de toneladas de hidrogênio verde (H2V) por ano.
Para se ter uma ideia da magnitude, os pesquisadores apontam que, se o estado utilizar apenas 20% de suas áreas aptas, a produção já seria de 20 milhões de toneladas — quase o dobro da demanda global projetada para 2040, estimada em 11 milhões de toneladas.
Vantagem Competitiva: O “Custo RN”
Um dos grandes destaques da matéria é o custo de produção. Graças à força dos ventos e à abundância solar, o RN pode produzir H2V a custos que variam entre US$ 1,92 e US$ 4,20 por kg. Esses valores são inferiores aos projetados por países europeus, tornando o estado um destino extremamente atrativo para investimentos estrangeiros e para a descarbonização da indústria nacional.
Mossoró e Região Costa Branca em Destaque
O mapeamento aponta a região de Mossoró e o litoral norte (de São Miguel do Gostoso a Tibau) como áreas prioritárias. A combinação de infraestrutura, disponibilidade de energia eólica e solar, e o acesso ao mar para processos de dessalinização (sem afetar os mananciais de água doce) coloca essas localidades no centro da nova economia verde.
Do Papel para a Prática: Primeira Licença Emitida
O lançamento não ficou apenas na teoria. Durante o evento, a governadora Fátima Bezerra entregou a primeira licença ambiental para a instalação de uma planta de hidrogênio e amônia verde no estado. O projeto, da empresa Brazil Green Energy, prevê um investimento de R$ 12 bilhões em Areia Branca, com capacidade para produzir 80 mil toneladas por ano.
“Estamos deixando para as gerações presentes e futuras um marco legal e técnico potente, que vai orientar o desenvolvimento sustentável do Rio Grande do Norte”, afirmou a governadora.
O Futuro no Porto-Indústria Verde
Para suportar todo esse crescimento, o governo avançou na estruturação do Porto-Indústria Verde, projetado para ser o principal hub logístico de exportação e processamento de hidrogênio e seus derivados. Com uma matriz elétrica que já é 98% renovável, o Rio Grande do Norte deixa de ser apenas um gerador de energia para se tornar um produtor de combustível de alto valor agregado.